tchau, setembro! :)
te amo, mas quero é OUTUBRO!
30 de setembro de 2009
13 de setembro de 2009
do além
esse meu exílio do tendenssa está sendo bem profícuo: um livro lido e outro engatilhado; a minha primeira ida ao cinema, aqui; uma volta de reconhecimento que me colou um sorriso no rosto; pancadão de leve no gtalk; reorganizar meu relógio biológico...
será que eu volto? ;)
será que eu volto? ;)
concordo, joão
a moderação sempre me intrigou, não consigo compreendê-la direito e tenho um certo medo dessas pessoas deliberadas e pausadas, que pensam nos limites que querem observar. só consigo ser desabrida e só me dou efetivamente com os desabridos, seja como pessoas, seja como artistas ou pensadores.A CASA DOS BUDAS DITOSOS
12 de setembro de 2009
página 72
16 de junho de 2000.
sexta à noite, em guaramiranga.
éramos 5 amigas e 1 amigo (gay) num quarto, tiritando de frio.
tínhamos ido mais cedo para a casa do aniversariante, um chalé idílico, na linha da serra, e tava muuuuuito frio. acabei estupidamente levando apenas uma rede, e estava o próprio dindin, me passando. ninguém conseguia dormir, e fatalmente começamos a falar putaria.
uma delas tinha levado um livro e eu pedi pra dar uma olhada, já que o bichim tava esquecido em cima da mala, enquanto o tititi truava no quarto glacial. era *a casa dos budas ditosos*, do João Ubaldo Ribeiro.
[adendo para quem não conhece o livro: faz parte da coleção plenos pecados, e o tema é luxúria.]
abri na página 72 e me deparei com o tópico *o desvirginamento*. meu mutismo foi percebido pela audiência, que perguntava o que tinha me tirado da conversa. comecei a ler o relato, rindo, e, surpreendentemente, todas (incluindo o amigo gay) pararam para ouvir.
a escrita de João Ubaldo é envolvente, e o assunto nem precisa de estímulo para captar a atenção. começamos então a ler trechos do livro, mas ele fatalmente voltava pra minha mão, já que as páginas mais pesadas insistiam em abrir pra mim.
virei a narradora da história, sob risadas e um calor que até então não havia aparecido na serra. em 30 minutos os casacos tinham sido tirados, um vinho aberto e duas caixas de chocolate já rodavam entre nós.
tirando M - o amigo -, todas eram virgens ou semi-virgens.
[pausa para explicar as SV: tinham alguma experiência, mas não tinham muita intimidade com o assunto, fruto de experiências frustrantes, com namorados desengonçados e precoces.]
era inebriante ouvir uma narrativa tão franca sobre o assunto, pois, querendo ou não, cada uma ostentava uma experiência que não tinha (é, meninos, também fazemos isso...). a protagonista mexeu com cada uma de nós, e houve reações das mais variadas.
como o que acontece no méxico, fica no méxico, cito apenas o meu amigo, M, que sentiu uma nostalgia por mulheres e esta noite ficou com uma das presentes, C, que acabou se apaixonando por ele. a paixão acabou quando o álcool saiu do sangue, mas não é isso o que importa...
esta viagem marcou a todas. de minha parte, mal dormi: precisava ler o livro todo. precisava ouvir/ler aquilo. e *a casa dos budas ditosos* encontrou pousada na minha estante mental como uma boa lembrança.
voltando a 2009, em junho. chego em casa e vejo o saudoso luxúria na mesa da sala daqui de casa em brasília.
- mãe, de quem é esse livro?
- seu pai ganhou no trabalho. - respondeu da cozinha, coando o café.
- pai, quem foi que lhe deu esse livro? que marmota é essa?
- foi um colega que me deu. algum problema?
- vocês sabem o que tem nesse livro?
- o que é que está acontecendo? - minha mãe volta à conversa. - o que é que tem nesse livro que os seus pais não podem saber?
abri na velha página 72 de guerra e entreguei pra ela. ela pegou o livro e disse que ia ler antes de dormir. na manhã seguinte, dedo em riste na minha cara:
- você leu essa esculhambação?
- pôa, mãe... faish tempo, aê... tem quase 10 anos!
ela ficou muda, me encarando. devolveu o livro pra estante e resmungou algo ininteligível. desde então, o coitado padecia no cantinho do castigo, criando teia de aranha. sempre que eu passava por lá, ele dava um jeito de chamar a minha atenção...
e hoje eu resolvi que não dava mais pra fugir. reli-o.
claro que o livro é o mesmo, mas eu, realmente, não sou mais aquela. ele é muito bom, isso é fato, mas o arrebatador, pra mim, não é mais o tema, e sim as citações que agora percebo, os aforismos, as semelhanças e discrepâncias ao encarar a vida.
recomendo! pelo tema, por João Ubaldo, e pra ver o que realmente te choca: o que está escrito ou o que você concorda.
sexta à noite, em guaramiranga.
éramos 5 amigas e 1 amigo (gay) num quarto, tiritando de frio.
tínhamos ido mais cedo para a casa do aniversariante, um chalé idílico, na linha da serra, e tava muuuuuito frio. acabei estupidamente levando apenas uma rede, e estava o próprio dindin, me passando. ninguém conseguia dormir, e fatalmente começamos a falar putaria.
uma delas tinha levado um livro e eu pedi pra dar uma olhada, já que o bichim tava esquecido em cima da mala, enquanto o tititi truava no quarto glacial. era *a casa dos budas ditosos*, do João Ubaldo Ribeiro.

abri na página 72 e me deparei com o tópico *o desvirginamento*. meu mutismo foi percebido pela audiência, que perguntava o que tinha me tirado da conversa. comecei a ler o relato, rindo, e, surpreendentemente, todas (incluindo o amigo gay) pararam para ouvir.
a escrita de João Ubaldo é envolvente, e o assunto nem precisa de estímulo para captar a atenção. começamos então a ler trechos do livro, mas ele fatalmente voltava pra minha mão, já que as páginas mais pesadas insistiam em abrir pra mim.
virei a narradora da história, sob risadas e um calor que até então não havia aparecido na serra. em 30 minutos os casacos tinham sido tirados, um vinho aberto e duas caixas de chocolate já rodavam entre nós.
tirando M - o amigo -, todas eram virgens ou semi-virgens.
[pausa para explicar as SV: tinham alguma experiência, mas não tinham muita intimidade com o assunto, fruto de experiências frustrantes, com namorados desengonçados e precoces.]
era inebriante ouvir uma narrativa tão franca sobre o assunto, pois, querendo ou não, cada uma ostentava uma experiência que não tinha (é, meninos, também fazemos isso...). a protagonista mexeu com cada uma de nós, e houve reações das mais variadas.
como o que acontece no méxico, fica no méxico, cito apenas o meu amigo, M, que sentiu uma nostalgia por mulheres e esta noite ficou com uma das presentes, C, que acabou se apaixonando por ele. a paixão acabou quando o álcool saiu do sangue, mas não é isso o que importa...
esta viagem marcou a todas. de minha parte, mal dormi: precisava ler o livro todo. precisava ouvir/ler aquilo. e *a casa dos budas ditosos* encontrou pousada na minha estante mental como uma boa lembrança.
voltando a 2009, em junho. chego em casa e vejo o saudoso luxúria na mesa da sala daqui de casa em brasília.
- mãe, de quem é esse livro?
- seu pai ganhou no trabalho. - respondeu da cozinha, coando o café.
- pai, quem foi que lhe deu esse livro? que marmota é essa?
- foi um colega que me deu. algum problema?
- vocês sabem o que tem nesse livro?
- o que é que está acontecendo? - minha mãe volta à conversa. - o que é que tem nesse livro que os seus pais não podem saber?
abri na velha página 72 de guerra e entreguei pra ela. ela pegou o livro e disse que ia ler antes de dormir. na manhã seguinte, dedo em riste na minha cara:
- você leu essa esculhambação?
- pôa, mãe... faish tempo, aê... tem quase 10 anos!
ela ficou muda, me encarando. devolveu o livro pra estante e resmungou algo ininteligível. desde então, o coitado padecia no cantinho do castigo, criando teia de aranha. sempre que eu passava por lá, ele dava um jeito de chamar a minha atenção...
e hoje eu resolvi que não dava mais pra fugir. reli-o.
claro que o livro é o mesmo, mas eu, realmente, não sou mais aquela. ele é muito bom, isso é fato, mas o arrebatador, pra mim, não é mais o tema, e sim as citações que agora percebo, os aforismos, as semelhanças e discrepâncias ao encarar a vida.
recomendo! pelo tema, por João Ubaldo, e pra ver o que realmente te choca: o que está escrito ou o que você concorda.
o melhor tempero é a fome?

durante muito tempo usei esta frase como resposta a várias situações, mas ontem me flagrei pensando se ela é realmente absoluta.
se há alguma dúvida dentre os que me lêem, esclareço o óbvio: eu sou louca. e esta loucura se apodera de mim sempre diante do novo, de forma que, quando eu leio algo que gosto, por exemplo, só largo quando termino.
o meu questionamento é justamente sobre esta sanha: acabo fazendo tudo rápido demais, chego ao final e dá uma sensação de alívio misturada a um vazio estranho, onde procuro algo novo para me ater.
este processo, durante muito tempo ininterrupto, se confronta quando, numa curva, eu reencontro uma paixão antiga: livros, filmes, lugares, pessoas... a lembrança que guardo geralmente é quebrada quando a analiso, agora sem a necessidade de mergulhar o mais fundo que uma respiração só me permita.
muitas vezes eu vejo que foi muito bom pelo simples fato de eu fazê-la assim, porque, naquele momento, era o que eu precisava, mas agora não diz quase nada. às vezes evito alguns confrontos, por receio - inconsciente ou não - de macular a lembrança.
mas há coisas que acontecem quando não estamos preparados pra elas. não sabemos como reagir, como ler seus sinais. e são estas que sobrevivem à fome das outras, são estas que valem a pena! elas sempre existem, e estão esperando que nós finalmente as enxerguemos.
é como ouvir uma música que você conhece há anos e, de repente, ver que ela conversa com você; rever um filme 10 anos depois e descobrir que ele é ainda melhor do que a sua lembrança (detalhe: quem mudou foi você, e não o filme).
admito: tem coisas que precisam se manter no passado. elas, no presente, não funcionariam.
em compensação, sempre se pode se surpreender com algo se acha que conhece. e o melhor: passada a loucura da fome, percebe-se o sabor.
10 de setembro de 2009
9 de setembro de 2009
então
daqui a alguns anos eu talvez me pergunte
onde estava no dia 9 de setembro de 2009.
o que fiz, quais anseios tinha,
como essa conjunção se
apresentou na minha vida...
pra mim, é meio que um reveillon no meio do ano;
um dia de decisões, de guinadas...
dia de ouvir algo novo,
de rir com o de sempre,
de se sentir perto dos que ama,
de ser.
de 9 em 9 vou andando.
no fim, a mesma soma,
a busca pelo equilíbrio,
o cerne da espiral,
o cabelo que arrepia no círculo.
onde estava no dia 9 de setembro de 2009.
o que fiz, quais anseios tinha,
como essa conjunção se
apresentou na minha vida...
pra mim, é meio que um reveillon no meio do ano;
um dia de decisões, de guinadas...
dia de ouvir algo novo,
de rir com o de sempre,
de se sentir perto dos que ama,
de ser.
de 9 em 9 vou andando.
no fim, a mesma soma,
a busca pelo equilíbrio,
o cerne da espiral,
o cabelo que arrepia no círculo.
7 de setembro de 2009
disco arranhado
tá, eu sei que tô enchendo o saco...
mas eu simplesmente NÃO ME CONFORMO, ponto.
é isso.
é um absurdo sentir ainda úmido o corretivo que passaram em você.
já me senti assim antes, e repito: i'm feeling like joel, being erased by clementine!
mas eu simplesmente NÃO ME CONFORMO, ponto.
é isso.
é um absurdo sentir ainda úmido o corretivo que passaram em você.
já me senti assim antes, e repito: i'm feeling like joel, being erased by clementine!
susto
não pensei em reagir assim, mas realmente me assustei. me preparei - psicologicamente - pra este momento, mas percebi que nada prepara... passam-se dias, meses, eras jurássicas e ainda assim nunca se está preparado para o momento crucial. não sabia que estava prendendo a respiração até me ver sem ar. do que eu senti, só sei de uma coisa: não dá pra viver assim. não dá pra se preparar a vida inteira, ou viver com receio da próxima esquina, onde talvez os olhos perscrutadores estejam a esperar. quero voltar pra um segundo antes do passo em falso e não transformar a minha vida nisso... mentira! não quero apagar, só quero que fique nas páginas de uma agenda que eu não abro mais. pode ser, ou tá difícil?
5 de setembro de 2009
2 de setembro de 2009
1 de setembro de 2009
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